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Mac com Intel - o que significa?
Por marcelo Nóbrega
12 de Janeiro de 2006

O lançamento dos primeiros Macintosh com processador Intel movimentou a semana. Steve Jobs, mais uma vez, provou ser um dos melhores executivos do Vale do Silício ao adiantar em seis meses a chegada dos computadores.

O anúncio que a empresa trocaria a IBM pela Intel aconteceu em junho de 2005. Na época, Jobs disse que o roadmap de PowerPC da Big Blue não satisfazia mais a Apple e citou dois motivos: a falta de um processador G5 de 3 GHz para o PowerMac, o desktop mais poderoso, e os problemas para evoluir a família PowerBook de laptops, já que em dois anos de G5 não foi possível desenvolvê-lo em versão portátil.

Nunca saberemos se os motivos eram reais. Os PowerMacs até estavam bem servidos, embora começassem a perder a dianteira para os micros com processador AMD ou Intel. O caso do PowerBook era mais grave e ele só se mostrava viável para quem gostava do Mac OS X. É sabido que a Intel oferece ótimos descontos para as empresas que assinam com exclusividade - caso da Dell, por exemplo. Mas, na época, a empresa já enfrentava uma concorrência forte da AMD, que se não a bate em market share, tem processadores mais rápidos. Não seria o caso de mudar para o x86, sem estipular um fabricante?

O que interessa é que chegaram os novos Macs. Para quem esperava apenas o anúncio do Mini Intel, micro "popular" da Apple, Jobs surpreendeu ao deixá-lo de lado e trazer outros dois - o iMac e o MacBook Pro.

O iMac é o computador com melhor relação custo/benefício da Apple. Com design primoroso de Jonathan Ive, o mesmo projetista do iPod e de outros modelos da empresa, coloca todo o hardware atrás do monitor LCD. O desenho não foi mudado e ele continua com as duas versões, de 17 e 20 polegadas, com variações de memória RAM, HD e placa de vídeo, além dos novos chips Core Duo de 1,83 GHz e 2 GHz, respectivamente. Os computadores estarão disponíveis nas lojas americanas no final do mês.

Os processadores de núcleo duplo, antes conhecidos como Yonah, foram apresentados oficialmente pela Intel na CES 2006, que aconteceu na semana passada. No mundo dos PCs, eles equiparão os novos notebooks Centrino e os micros equipados para a casa digital na plataforma Viiv, também lançada na feira em Las Vegas.

O outro anúncio de Jobs foi mais impactante. O MacBook Pro substituirá a linha PowerBook, que tem modelos de 12, 15 e 17 polegadas. Na MacWorld Jobs apresentou apenas duas versões de 15 polegadas, com processadores de 1,67 GHz e 1,83 GHz. Outra novidade é a webcam embutida sobre a tela. Ele já pode ser encomendado, mas só chegará as lojas em fevereiro.

Quando falei "substituirá", me refiro à atitude curiosa e até certo ponto perigosa da Apple. Quem entrar na Apple Store perceberá que os novos Macs estão à venda junto com os antigos. Acredito que algumas empresas que precisem de micros nesse momento não queiram misturar as gerações, mas de qualquer forma imaginava que os antigos fossem ser descontinuados imediatamente. Também acho que o PowerBook de 12 polegadas sumirá do mapa, já que seu primo menor, o iBook de 12 polegadas, começava a encostar nele em desempenho - e por um preço bem menor. O modelo de 17 polegadas deve ser apresentado na metade do ano, com um Core Duo mais rápido ou até com outra geração de chips de núcleo duplo que a Intel apresentará.

Outra surpresa que tive foi em relação ao preço. O tal desconto oferecido à exclusividade com a Intel permitiria à Apple baratear seus produtos, mas o que se viu foi uma manutenção nos preços. Os iMac custam US$ 1.299 e US$ 1.699, enquanto que os MacBook saem por US$ 1.999 e US$ 2.499. Os preços dos laptops ficaram salgados, principalmente o último, que passou a ter o mesmo preço do modelo de 17 polegadas.

Continuo achando que a Apple reserva uma surpresa em relação ao preço dos Macs, que revelará no meio do ano, quando atualizar os Minis e os iBooks. Eles devem chegar até US$ 300 mais baratos, num momento em que a empresa já terá uma idéia de como os primeiros Mac Intel estão em vendas. O Mini, inclusive, pode vir com o selo Viiv, assumindo de vez sua característica de servidor multimídia, como já é usado por muitos dos seus proprietários. A transição para Intel acaba ainda este ano.

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